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Mensagem de Boas Vindas Josec!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010 Marcadores: Mensagens
Olá, caro amigo(a)!
A idéia de criar esse blog surgiu para divulgar e também como uma forma, de comemorarmos os 10 anos de grupo de jovens Josec (Jovens Seguidores de Cristo).
O Blog Josec agradece sua visita e faz um convite para que você volte muitas e muitas vezes.
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Bispo se posiciona claraente contra o PT
domingo, 12 de setembro de 2010 Marcadores: Mensagens
SÃO PAULO, 13 Set. 10 / 06:39 pm (ACI).- Em um recente artigo Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro, bispo de Oliveira (MG) chama a atenção do eleitorado para as propostas anti-vida do PT da candidata Dilma Rousseff, destacando que este partido afirma-se por um Brasil que inclui “a defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Por isso o bispo pede que ao escolher seus candidatos o eleitor observe também seus compromissos com a defesa da vida.
Ao referir-se aos direitos fundamentais da pessoa, que são o direito à vida, à propriedade, à liberdade e à honra, o prelado destaca «entre os quatro direitos, o primeiro é o mais importante porque é a base de todos os outros».
«Os Dez Mandamentos da Lei de Deus expressam em sua totalidade esses direitos fundamentais e seus desdobramentos. O direito à vida ocupa um lugar especial no quinto mandamento: Não matar; que nos obriga à defesa da vida humana desde a sua concepção no ventre materno até sua natural consumação na morte. Aborto e eutanásia, assim como tudo que fere a vida humana, são pois, condenados por Deus», destacou o prelado.
Lembrando o grave delito do aborto e que “quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sentenciae”, como afirma o Canon 1314, do Código de Direito Canônico. O bispo denunciou que “entre os candidatos não são poucos, de diversos partidos, que defendem o aborto, como já declararam em entrevistas à imprensa ou reduzem sua aprovação a um eventual plebiscito como se a objetividade do bem se definisse pela opinião da maioria ou pela estatística e não pela objetividade da Lei de Deus e da lei natural impressa no coração de todos os homens”.
“Entre os partidos, o Partido dos Trabalhadores inclui o aborto em seu programa partidário. O PT em seu 3º Congresso ocorrido em setembro de 2007 afirma-se “por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais” que inclui “a defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”, enfatizou Dom Miguel Angelo citando as Resoluções do Congresso do PT.
Mencionando o Catecismo da Igreja, o bispo recorda que também “faz parte da missão da Igreja emitir um juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política,quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas”.
“Diante da grave situação em que estamos, cada eleitor católico tem a gravíssima obrigação de ao escolher seus candidatos, observar também seus compromissos com a defesa da vida e com aqueles pontos “que não admitem abdicações, exceções ou compromissos de qualquer espécie” como o caso das leis civis do aborto; da eutanásia; de proteção do embrião humano; da tutela da família como consórcio natural e monogâmico de um homem e uma mulher, portanto contra o reconhecimento da união civil de homossexuais e a adoção de crianças pelos mesmos; da liberdade de educação dos filhos pelos pais; da liberdade religiosa e de uma economia a serviço da vida”, destacou Dom Freitas.
“Cada um examine diante de Deus e de sua consciência para bem escolher nossos governantes de modo a escolher o melhor pelo Brasil. Não podemos nos furtar diante da verdade e da justa defesa da vida e da Lei de Deus”, conclui o bispo do oeste mineiro.
O artigo completo pode ser visto em: http://www.acidigital.com/naomatar.htm
.PROTESTE CONTRA O ABORTO NO BRASIL, manifeste sua posição.
Obs: é importante se manifestar sem proposições religiosas, mas como cidadãos brasileiros.
E-mail Presidência da República: pr@planalto.gov.br
Senado:——————————–Clique Aqui.
Câmara do Deputados:—————–Clique Aqui.
Ministério da Saúde:——————–Clique Aqui.
“A audácia do maus, se alimenta da covardia e da omissão dos bons”.
Outra opção é a Central de Comunicação Interativa/Câmara dos Deputados
Intimidade
terça-feira, 7 de setembro de 2010 Marcadores: Mensagens
Que seja assim! Tardes que caem para que nasçam as noites. Acordes que terminam para que a pausa prepare o som que virá. A vida e seu movimento tão cheio de sabedoria. Que seja assim! Que seja sempre assim! Esquinas que dobramos com o desejo de alcançar outras esquinas. Depois da chuva, o frescor. Tudo prepara uma forma de depois, como se o agora fosse uma passagem constante que nos conduz com seu cordão invisível. Eu vou. Vou sempre. Não sei não ir. Minha curiosidade me move para dentro de mim. Sou um desconhecido interessante. A cada dia uma nova notícia me entrego. Eu me dou em partes, como se devolvesse o que já sou, Àquele que me deu totalmente. Vivo pra desvendar. Esquinas; tardes caídas; manhãs que se levantam com o sol. Ando amando mais. Meus amigos são tantos; meus limites também. Cada vez mais padre, mais feliz. Eu sou sem medo de errar. Eu desejo a sacralidade de cada dia. Deitar no chão da existência é tão necessário. Eu me levanto mais devolvido, porque há muitas partes de mim esparramadas, caídas pelas esquinas da vida. Recolher-me é obra que faço por Deus. Estou em reformas. Deus o sabe. Ele é que tirou a primeira pedra. Tirou. Não atirou. Deus não sabe atirar. Prefere tirar. Eu deixo. Sou Dele. Quero ser sempre mais. Em partes, pra ser todo. Ele me devolve a cada dia. Eu também. Lição de casa que faço com gosto.
Vez ou outra Ele me olha nos olhos e me dita poemas. Fico tão encantado que até esqueço as palavras. Ele manda eu prestar atenção. Digo que não sei. Ele ri de mim. "Poetas são todos iguais" - conclui enquanto mexe no meu cabelo. Eu o vejo de perto, bem de perto. Por vezes sinto o desejo de lhe pedir o impossível, mas aí me falta coragem. Aí peço que me dê só o necessário. Ele me surpreende com medidas que não mereço. Fico mudo, sem saber dizer. Ele me socorre com seu sorriso. E de súbito, as palavras voltam a fazer parte de mim.
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padre Fabio de Mello
Amar quem não merece!
domingo, 29 de agosto de 2010 Marcadores: Mensagens
Imagine um grupo de pessoas que moram numa caverna há muitos anos. Gente que nasce, cresce e morre dentro desse local. Passam-se gerações e gerações. Eles estão presos por correntes e algemas e não podem sair de jeito nenhum. Ficam, ali, praticamente com apenas um ângulo de visão. A luz que passa lá fora vem de uma fogueira que ilumina uma parte da caverna, projetando a sombra das pessoas que passam por trás de um muro fora da caverna. Alguns carregam vasos, outros passam, naturalmente, e deixam suas sombras. Eles nunca viram as pessoas e os objetos de verdade, por isso, pensam que as sombras são as próprias coisas. Tudo lhes parece muito real e vindo daquelas sombras. Não imaginam que exista a realidade, a fogueira, o muro, as pessoas e os objetos reais. Vivem como se tudo o que vêem fosse, de fato, a única coisa que existe.
Triste vida! Você pode estar pensando: "Esses homens presos na caverna não poderiam dar nem ao menos uma escapadinha para conhecer o mundo real?"
Esse é exatamente o questionamento que o filósofo Platão fez! Se alguém libertasse um dos prisioneiros, o que aconteceria? Ele sairia da caverna e teria de aprender a enxergar a verdade, que é como o sol. Experimentaria o mundo de verdade e ainda que a indignação de ter ficado durante anos dentro da caverna fosse forte, ele quereria mostrar aos outros a maravilha que conheceu. Infelizmente, os que o ouviriam, não acreditariam e zombariam dele.
Diriam que enlouqueceu, porque saiu da caverna e que não valeria a pena sair daquele lugar tão seguro e real.
Em nossas vidas também acontece isso. Criamos algumas "cavernas" para fugir da realidade e acabamos esquecendo que o mundo existe. Esse mito grego tem muito a nos dizer...
Como os homens da "Alegoria da Caverna", de Platão, temos de perceber quando nossa maneira de enxergar o mundo está embaçada, fechada, alienada. De fato, só quando saímos de nosso "mundinho", de nosso minúsculo círculo de amizades, e partimos para enxergá-lo de um jeito diferente, é que conseguimos valorizar o diferente, a beleza da natureza, a força de um amor verdadeiro e a incrível mudança que pode ocorrer nele, se em vez de julgar o outro, o amamos e o vemos além das "sombras" e aparências. Em nossa vida, temos de optar pela verdade, só assim sairemos da "caverna"!
A frase de Carlos Drummond de Andrade é um alerta diante do que estamos refletindo aqui: "A verdade é sempre vista conforme nossos caprichos, ilusões e miopias!"
Precisamos ter a coragem de ver a verdade, ainda que nos arda os olhos, ainda que as pessoas digam que não vale a pena. Não podemos desistir dos sonhos porque não recebemos a aprovação de algumas pessoas. Muitas vezes, nós também não queremos sair da "caverna", nos acostumamos a não pensar, a não criticar e preferimos ficar calados e acomodados. Precisamos acordar para a realidade! Não deixar que as sombras das opiniões impostas nos impeçam de ver o mundo de verdade. Eu sou apaixonado pela Filosofia. E sei que cada um de nós é um poquinho filósofo, toda vez que se aproxima da sabedoria, para ser amigo dela. Filósofo é aquele que se liberta das algemas, sai da "caverna" e encontra o sol. O Sol, que é a Verdade, tem um nome: JESUS.
É a luz de Deus que ilumina a nossa razão. É a fé, que de mãos dadas com a razão, nos arranca a venda dos olhos e nos convida a sair da "caverna" dos próprios medos, sombras e ilusões, para que enxerguemos o mundo com outros olhos. Nossa fé pode nos tirar de lá [caverna] e nos despertar para a realidade, mas se você vivê-la de uma maneira alienada, ela pode fazê-lo acreditar que a "caverna da alienação" é o local melhor para se viver. E, ali, com suas regrinhas, com seu modo de se fazer de "santinho", permanecerá isolado, e aparentemente, realizado na contemplação de seu mundo de leis, compromissos e sombras. Visão deturpada da fé! O amor de Deus não prende. Amor que prende é amor doente. Quando acordamos para o Deus que ama e que nos abraça, experimentamos o amor que cura, que é sadio, nunca doentio, este é o amor que nos aceita, mesmo que não sejamos merecedores. E a loucura do amor cristão é exatamente essa: amar quem não merece!
Deus me ama, para que eu seja livre!
Deus me ama, para que eu seja mais autêntico!
Deus me ama, para que eu seja realmente feliz!
Queria muito que você escrevesse essas frases em algum lugar que possa ver todos os dias (caderno, bíblia, geladeira, espelho, etc...). E diante delas, lembre-se de que a fé, se for vivida de maneira equilibrada, e com a luz de Deus, nunca levará você para uma vida de escravidão dentro da "caverna". Ela vai arrancá-lo de lá para que você viva a realidade desse mundo. E uma vez que estamos nele, nossa fé nos impulsiona a ser SAL, FERMENTO E LUZ! Eu não desprezo o mundo, quero transformá-lo! E você? O que a religião tem feito com você? A maneira como você vive a fé, tira-o da "caverna" ou o aprisiona dentro dela?
Autor: Diego Fernandes
Preciso de amigos...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010 Marcadores: Mensagens
Há uma diferença grande entre ler um texto e vivê-lo. As palavras têm o poder de mudar nossa vida. E quando a palavra se encarna, revira-nos por dentro. Bem disse Adélia Prado: “Quem entender a linguagem entende Deus cujo Filho é o Verbo.” Cristo é chamado na teologia de “Lógos”= palavra. Ele é a Palavra que se encarnou. Eu vivo na busca dessa Palavra capaz de mexer com a estrutura da minha vida.
Sou amigo das palavras, gosto de conversar com os verbos, escrevo música, poesia; minha vida é um livro. A cada dia eu recebo uma folha em branco do Criador. Sou escritor. Você também é. Que livro estamos escrevendo? As páginas da nossa vida serão bem escritas se formos amigos daquele cujo Filho é o Verbo! Daquele que corrige os erros de conjugação nos tempos verbais da vida. Confundimos passado, presente e futuro, mas Ele nos vê inteiros, conhece-nos mais do que nós mesmos, como disse Santo Agostinho.
Eu preciso de amigos. Amigos de carne e osso.Eles são imagens de Deus, presentes do céu!Se for amigo do Verbo que é Cristo, melhor, pois só assim saberei escrever minha vida!
Quero amigos que me mostrem quando, na pauta da vida, eu perdi a rima, a harmonia, a métrica! Eu sonho, rezo, calo e espero, de uma maneira muito minha, ouvir da boca do próprio Deus o tão sonhado: "AMIGO! Vem... Eu lhe preparei um lugar!"
"Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando" (Jo 15,14) Para Jesus, ser amigo é querer o que o outro quer e rejeitar aquilo que o outro rejeita. Como diz o provérbio latino: "Idem velle idem nolle". Eu não me anulo, mas vivo a alegria de partilhar as mesmas aspirações naturalmente. Martin Buber, um filósofo que muito contribuiu para os estudos de relacionamentos "EU-TU", diz que a inter-relação supõe diálogo, encontro e responsabilidade. Eu sou eu, você é você, mas juntos somos melhores. Da nossa amizade nasce uma espécie de terceira pessoa. Sozinhos, somos únicos, mas para este terceiro nascer, precisamos estar juntos.
O que nasce das suas amizades?
Esse "terceiro" é harmonia, paz, alegria e esperança, ou é guerra, desespero e briga? Gestamos vícios ou virtudes...Tudo depende da maneira como agimos e dos amigos que escolhemos! Quando leio os livros de Viktor Frankl, criador da logoterapia, as cenas ganham vida. Ele viveu durante anos dentro de um campo de concentração, e foi lá que desenvolveu sua teoria. Olhando as pessoas que caminhavam, ele percebeu que cada passo poderia ser um passo de esperança e vida ou de desespero e morte.
Escolher! Sim, a liberdade de escolha está dentro do ser humano e esse é um tesouro dado por Deus que não pode ser roubado por ninguém! Para não perder o sentido da vida, ele diz que é preciso viver os valores de criação (trabalhar, sonhar, realizar), valores de vivência (ter amigos/amores) e valores de atitude (diante do sofrimento é preciso se posicionar!).
Amizade é escolha.Bons amigos que encham sua vida de sentido.É o que lhe desejo!
Autor: Diego Fernandes
Mensagem de sua Santidade O Papa Bento XVI para a Quaresma de 2010
sexta-feira, 30 de outubro de 2009 Marcadores: Mensagens

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
O PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2010
O PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2010
A justiça de Deus está manifestada
mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21–22 )
mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21–22 )
Queridos irmãos e irmãs,
todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida á luz dos ensinamentos evangélicos . Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina:A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21 – 22 ).
Justiça: “dare cuique suum”
Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romana do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais intimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais – no fim de contas o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam e certamente condena a indiferença que também hoje condena centenas de milhões de seres humanos á morte por falta de alimentos, de água e de medicamentos - , mas a justiça distributiva não restitui ao ser humano todo o “suo” que lhe é devido. Como e mais do que o pão ele de facto precisa de Deus. Nora Santo Agostinho: se “ a justiça é a virtude que distribui a cada um o que é seu…não é justiça do homem aquela que subtrai o homem ao verdadeiro Deus” (De civitate Dei, XIX, 21).
De onde vem a injustiça?
O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativo ao alimento, podemos entrever nas reacções dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior. Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua actuação: Esta maneira de pensar - admoesta Jesus – é ingénua e míope. A injustiça, fruto do mal , não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista:”Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl. 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro. Aberto por natureza ao fluxo livre da partilha, adverte dentro de si uma força de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: é o egoísmo, consequência do pecado original. Adão e Eva, seduzidos pela mentira de Satanás, pegando no fruto misterioso contra a vontade divina, substituíram á lógica de confiar no Amor aquela da suspeita e da competição ; á lógica do receber, da espera confiante do Outro, aquela ansiosa do agarrar, do fazer sozinho (cfr Gn 3,1-6) experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza. Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?
Justiça e Sedaqah
No coração da sabedoria de Israel encontramos um laço profundo entre fé em Deus que “levanta do pó o indigente (Sl113,7) e justiça em relação ao próximo. A própria palavra com a qual em hebraico se indica a virtude da justiça, sedaqah, exprime-o bem. De facto sedaqah significa, dum lado a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, equidade em relação ao próximo (cfr Ex 29,12-17), de maneira especial ao pobre, ao estrangeiro, ao órfão e á viúva ( cfr Dt10,18-19). Mas os dois significados estão ligados, porque o dar ao pobre, para o israelita nada mais é senão a retribuição que se deve a Deus, que teve piedade da miséria do seu povo. Não é por acaso que o dom das tábuas da Lei a Moisés, no monte Sinai, se verifica depois da passagem do Mar Vermelho. Isto é, a escuta da Lei , pressupõe a fé no Deus que foi o primeiro a ouvir o lamento do seu povo e desceu para o libertar do poder do Egipto (cfr Ex s,8). Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre ( cfr.Ecli 4,4-5.8-9), o estrangeiro ( cfr Ex 22,20), o escravo ( cfr Dt15,12-18). Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto – suficiência , daquele estado profundo de fecho, que á a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efectuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente a realizar. Existe portanto para o homem esperança de justiça?
Cristo, justiça de Deus
O anuncio cristão responde positivamente á sede de justiça do homem, como afirma o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “ Mas agora, é sem a lei que está manifestada a justiça de Deus… mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os crentes. De facto não há distinção, porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vitima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (3,21-25)
Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O facto de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cfr Gal 3,13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objecção: que justiça existe lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui manifesta-se a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidencia que o homem não é um ser autárquico , mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.
Compreende-se então como a fé não é um facto natural, cómodo, obvio: é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitencia e da Eucaristia. Graças á acção de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é aquela do amor ( cfr Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.
Precisamente fortalecido por esta experiencia, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.
Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Tríduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autentica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica.
Vaticano, 30 de Outubro de 2009
BENEDICTUS PP. XVI
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